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O ato inseguro, é aquela conduta definida por decisão, opção ou escolha de alguém, que por decorrência disto vem a causar ou contribuir para um acidente.

Ao ouvirmos o termo “ato inseguro” imediatamente algo nos remete a uma forma antiquada de análise de acidentes de trabalho, com foco na culpa e não na causa raiz, onde frequentemente o próprio acidentado era o culpado de seu infortúnio. Assim foi e ainda é em muitas empresas, trabalhadores são advertidos, demitidos, por sua própria “culpa” em acidentes e isto não resolve o problema. Novos trabalhadores entram na empresa, e os velhos acidentes se repetem, óbvios e previsíveis.

Diante daqueles típicos atos inseguros, fazemos as seguintes perguntas:

- O acidentado podia optar, decidir, escolher executar aquela tarefa de forma diferente?

- Esta tarefa está prescrita de forma a ser executada com segurança?

- O tempo disponível para execução é compatível com a execução segura?

E assim por diante, teremos provavelmente várias perguntas que derrubam facilmente a tese do ato inseguro.

Surge então, uma tendência adotada inclusive pela fiscalização do trabalho, de banir o termo “ato inseguro” ou quaisquer mecanismos viciosos que culpem o próprio trabalhador e não enxerguem as verdadeiras causas dos acidentes de trabalho. Ganha força a visão de que existem condições inseguras por trás dos atos inseguros.

Tanto se confirma a tendência acima, que esta já chegou às Cortes Trabalhistas do país, onde vem ganhando força a tese, em ações de acidente do trabalho, da responsabilidade objetiva do empregador, ao invés da subjetiva (onde se busca trabalhar a responsabilização ou culpa do agente/vítima do fato, no caso, o colaborador).

A partir desta visão, temos que sempre haverá alguma responsabilidade ou obrigação competente à empresa, caso as atividades não sejam realizadas na forma e nos moldes estabelecidos pela legislação, ou ainda pelas políticas, manuais e procedimentos de segurança vigentes na Cia.

Disto decorre que, além do dever de adoção de todas as medidas básicas de saúde ocupacional, meio ambiente e segurança do trabalho, previstas nas normas regulamentadores, há também a necessidade de se revisitar o perfil, o comportamento dos profissionais que atuam na empresa, seus colaboradores, de modo a que só então se entendam efetivamente cumpridas todas as obrigações pertinentes à estrutura empresária. Nesta linha, o que dizer dos programas de segurança comportamental, presentes entre nós hoje em dia? Não é a mesma coisa, com termos modernos? Em parte, sim, outra não.

Os programas de segurança comportamental estão intimamente ligados ao diagnóstico e intervenção na cultura da empresa, representados na clássica curva de Bradley (DuPont):

Portanto, olhar para o comportamento trabalhando a cultura de segurança, é algo muito diferente daquilo que fazíamos no passado. Naturalmente irá levar a questionamentos sobre a forma segura de fazer as coisas, quais as barreiras, motivados pelo comprometimento da alta direção.

É inegável que, mesmo que existam condições inseguras, a tomada de decisão correta (com conhecimento do risco e liberdade para tal) certamente irá significar um acidente a menos.

Quanto as teorias que fundamentam a segurança comportamental, estão elas baseadas em um estudo fundamental da segurança do trabalho, a pirâmide de Bird:

Analisando a pirâmide, vimos que os desvios estariam relacionados ao comportamento inseguro das pessoas, portanto a segurança comportamental visa trabalhar a base da pirâmide, o que vai ao encontro à teoria consagrada de Frank Bird Jr.

Portanto, cada vez mais se confirma o fato de que às empresas, caberá atuar de forma ainda mais intensa, e em outros caminhos, para buscar mudar a cultura de segurança do trabalho existente em nosso país. Caberá investir em suas pessoas, não apenas na qualificação técnica, mas no desenvolvimento de um perfil de atuação segura, primando pela qualidade, pela performance no trabalho, mas com certeza, zelando sempre pela saúde e pela integridade física de suas pessoas.

 

Felipe Iahnig de Oliveira

Diretor de Segurança do Trabalho

Categoria: ARTIGOS TECNICOS
Publicado: Terça, 29 Março 2016 14:09

O dia 16 de março, pouco difundido por aí, foi o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Muito se discute os aumentos expressivos na temperatura média do planeta e as possíveis catástrofes que podem ocorrer devido a esse aumento. Fala-se muito em possíveis alterações no regime de ventos, com tufões e ciclones mais frequentes e mais intensos. Também se fala muito nas possíveis alterações nos regimes de chuvas, como foi o caso da seca na região Sudeste, ou as altas pluviosidades da região Sul do país.

Com toda certeza, são assuntos de uma complexidade imensa, que extrapolam os limites de modelagem científica atual e muitas vezes assumem certos exageros, tanto para um lado quanto para o outro. Porém a constatação que eu acredito ser mais relevante é: “Até que ponto podemos justificar catástrofes com base nas mudanças climáticas? ”.

Os projetos hidráulicos dos centros urbanos deveriam se valer de estatísticas baseadas em todas as medições da série histórica, sendo permitido que ocorresse inundações no sistema em média uma vez a cada 5 anos. Em alguns casos, como pontes, esta probabilidade de ocorrência deveria ser de uma vez a cada 10 anos. O que vemos empiricamente, é o sistema não dando conta de chuvas com precipitações muito inferiores a esses eventos. Ou seja, as inundações ocorrem uma vez por ano, se não mais.

Desculpas não faltam. Mas onde podemos encontrar a chave do problema?

A urbanização desenfreada, sem um planejamento espacial sério, trouxe um aumento considerável na impermeabilização do solo e na ocupação de áreas alagáveis. A impermeabilização do solo, ocasionada por diversos fatores, incluindo a não preocupação da gestão de águas pelos loteamentos, ocasionou um aumento de vazão superficial e esse incremento, desconsiderado também pelos gestores de águas pluviais, acabam por alagar áreas antes não alagáveis.

Tudo isso consequência não das mudanças climáticas, e sim pela falta de um estudo de águas pluviais aprofundado, conjuntamente com a ausência dessa impermeabilização adicional nos planos dos gestores públicos, ou ainda, uma alteração no planejamento urbano. Além disso, a ocupação de áreas alagáveis em geral é sentida muito mais por classes menos favorecidas, ficando muitas vezes longe dos grandes tomadores de decisões. Ainda assim, a teoria de controlar o uso dessas áreas, com atividades que não obstruam o fluxo do rio, é muitas vezes deixada de lado por pressões externas, como especulação imobiliária.

Concluindo, os riscos e consequências da urbanização dependem, para o bom uso do solo urbano, de um estudo sério, feito por empreendedores e poder público em conjunto, com o fim do bom usufruto por parte de todos agentes. Não podemos nos esconder mais atrás de “eventos extraordinário e catastróficos” ainda que eles ocorram eventualmente.

Dito isso, mesmo tais eventos, devem, fundamentalmente, possuir planejamentos detalhados de contenção de desastres.

 

João Ricardo Rossi Jacobus

Engenheiro Ambiental

Categoria: ARTIGOS TECNICOS
Publicado: Sexta, 18 Março 2016 18:01
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